
Após renúncia de Theresa May e derrota da ala menos 'eurocética' do Partido Conservador, aumentam chances de um Brexit sem acordo. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, fala a jornalistas antes de reunião sobre futuro do bloco com nova configuração do Parlamento Europeu Yves Herman/Reuters A União Europeia não renegociará o acordo do Brexit definido no ano passado com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse nesta terça-feira (28) o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. A declaração do líder europeu responde às alas menos "eurocéticas" do Partido Conservador, que governa o Reino Unido. Um dos candidatos a substituir May, Jeremy Hunt, havia declarado que tentaria buscar novo acordo com a União Europeia. "Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação", disse Juncker. Manifestante protesta contra o Brexit em frente ao Parlamento britânico em Londres Gonzalo Fuentes/Reuters O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou que vai renunciar ao cargo. A decisão comunicada na semana passada provocou uma disputa na liderança do Partido Conservador – amplamente derrotado nas eleições europeias, das quais o Reino Unido foi obrigado a participar quando decidiu adiar a saída do bloco para outubro. Como o "eurocético" Partido do Brexit levou o maior número de assentos na votação ao Parlamento Europeu, aumentou a possibilidade de o Partido Conservador levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais abrupta com a União Europeia. Boris Johnson chega para encontro de ministros de Relações Exteriores em Bruxelas Francois Lenoir/Reuters De um lado, conservadores mais favoráveis à União Europeia, como o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, opõem-se a uma retirada brusca do bloco. Do outro, estão "eurocéticos" dentro do próprio Partido Conservador, como Boris Johnson, favorito a tomar o lugar de May. Johnson defende que o Reino Unido cumpra o prazo e deixe a União Europeia até outubro, com ou sem acordo. Hunt, porém, criticou o colega de partido e disse que o apoio a um Brexit abrupto será um "suicídio político". Irlanda teme 'hard Brexit' Leo Varadkar, primeiro-ministro da Irlanda, chega a Bruxelas para reunião com representantes da União Europeia após eleições do parlamento do bloco Piroschka van de Wouw/Reuters O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo. "Bem, há um risco crescente de um não-acordo. Há uma possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada", disse ele a jornalistas. Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico e uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda muitos parlamentares, deve ser encontrada. Theresa May durante pronunciamento nesta sexta-feira (24) Toby Melville/Reuters Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo "backstop" que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte – que integra o Reino Unido – e Irlanda – país independente membro do bloco europeu. Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.
Fonte: G1
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