Vistoria no maior hospital infantil do AP flagra atendimento ao dobro da capacidade de pacientes


CRM identificou problemas na estrutura e falta de medicamentos e equipamentos de segurança. Vistoria flagrou atendimento ao dobro da capacidade de pacientes; crianças ficam internadas nos corredores do PAI em Macapá CRM-AP/Divulgação Fiscais do Conselho Regional de Medicina (CRM) identificaram, na quinta-feira (13), que o Pronto Atendimento Infantil (PAI) do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) do Amapá tinha mais de 40 crianças internadas, o dobro da capacidade de atendimento da unidade. O flagrante ocorreu durante vistoria no prédio, localizado no Centro de Macapá. As mais de 40 crianças internadas estavam em macas e até cadeiras que se transformavam em leitos na enfermaria e nos corredores do PAI. O hospital tem 18 anos e é o único público especializado no atendimento a crianças e adolescentes no estado. “Isso é extremamente preocupante. Há necessidade que se tome uma atitude, que se faça alguma coisa. Felizmente esse número de crianças está reduzido, mas, mesmo assim, são 21 crianças que estão fora de leitos”, informou Eduardo Monteiro, presidente do CRM no Amapá. Vistoria no HCA flagra atendimento ao dobro da capacidade de pacientes CRM-AP/Divulgação Além da superlotação, que é recorrentemente identificada nas fiscalizações, a unidade também apresenta falta de manutenção predial; de profissionais; de medicamentos; de produtos básicos, como sabonete líquido, luvas, seringas e álcool em gel na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica; e de exames como tomografia e ressonância. Vistoria identificou falta de diversos medicamentos e equipamentos como seringas CRM-AP/Divulgação Em relação à falta de medicamentos, produtos e equipamentos básicos, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) declarou, através de nota, que já trata com os fornecedores um cronograma de pagamento financeiramente viável diante da crise que o Estado enfrenta, causadas pela defasagem dos valores da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e pelas frustrações de receita prevista para o fundo de participação do estado. A Sesa não comentou sobre os outros problemas encontrados no HCA. O CRM detalhou também que três médicos foram encontrados compartilhando o mesmo consultório, com apenas uma maca para atenderem os casos de urgência e emergência e reavaliação de pacientes. Fiscais identificaram estrutura precária dentro da UTI pediátrica, no PAI de Macapá CRM-AP/Divulgação A sala de espera aparece nas fotos com a pintura descascada; dentro das salas, há fios improvisados; na sala de cirurgia, o piso corroído; e na UTI, a tinta também tá saindo da parede. A estrutura do hospital é a principal causa da superlotação. Sobre a falta de materiais, um pai relatou, em vídeo exibido pela Rede Amazônica, que teve que comprar produtos básicos para a filha, internada há mais de um mês na unidade. O pai fez fotos das notas fiscais para provar a compra. Foto mostra que lixos hospitalar e doméstico são descartados na mesma sacola CRM-AP/Divulgação Essa foi a primeira vistoria realizada no HCA desde outubro de 2018. Depois dessa fiscalização, o conselho fará um relatório explicando detalhadamente tudo o que foi visto no hospital. Esse relatório deve ser encaminhado aos ministérios Público do Estado e Federal e também à gestão da Sesa. “É possível fazer o que se chama de interdição. Uma interdição ética. Entretanto, nós estamos numa situação preocupante, uma situação de calamidade, com medo de paciente excedente. Por exemplo, no HE, nós temos, em média, 60 pacientes fora de leito. Se nós formos tomar uma atitude dessa, de interdição, onde que essas pessoas vão ser atendidas? É a mesma situação do PAI, um hospital de urgência e emergência que atende crianças graves. Não tem como fazer uma interdição. Onde é que essas crianças poderiam ser atendidas? Não podemos fazer isso porque só iria piorar essa situação que está extremamente complicada”, reforçou Monteiro. Vistoria no maior hospital infantil do AP flagra atendimento ao dobro da capacidade de pacientes CRM-AP/Divulgação CRM identificou falta de álcool em gel e sabonete líquido para higiene no hospital CRM-AP/Divulgação Hospital da Criança e do Adolescente é o maior especializado na rede pública no Amapá Reprodução/Rede Amazônica Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.


Fonte: G1

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