
Professor universitário fez publicação em sua rede social em que aparece uma estudante, de 18 anos. A jovem registrou boletim de ocorrência e o acadêmico nega ato de racismo. Professor fez postagem em sua rede social se referindo a cabelo de estudante negra em Santos, SP Reprodução A universitária de Santos, no litoral de São Paulo, que denunciou um professor por injúria racial após uma postagem na rede social, relatou ao G1 nesta terça-feira (28), se sentir humilhada com a publicação. Nycole Rabello, de 18 anos, quer que o acadêmico seja punido conforme a legislação. O professor Educação Física Marcos Lozano negou ato de racismo e a universidade onde ele trabalha não se manifestou sobre o ocorrido. A publicação foi feita pelo acadêmico na conta pessoal dele no Instagram durante um torneio interno na faculdade. Ele publicou uma foto em que a estudante aparece de costas com a legenda: "assim fica difícil assistir o jogo (sic)". A postagem teve mais de 100 curtidas antes de ser apagada. Segundo jovem , ela estava com a família a passeio em um shopping de São Paulo, quando viu que uma colega a tinha marcado em uma publicação. "Como sempre falo de racismo na sala de aula, achei que ela tinha me marcado devido a isso", conta. Ela se surpreendeu ao se reconhecer. “Eu travei e só conseguia chorar. Apesar de já ter sofrido racismo, nunca havia sido exposta dessa forma. Fiquei em choque e chorei muito. Foi horrível", relata. A vítima não estuda na universidade do ocorrido e contou que estava assistindo ao jogo, pois amigos dela participavam da competição. Professor de Santos, SP, divulgou foto de estudante de costas em sua conta pessoal do Instagram se referindo ao seu cabelo Reprodução De acordo com a estudante, o professor não entrou em contato com ela para pedir desculpas. Entretanto, a universitária afirma que ele fez postagens em suas redes sociais afirmando que não quis ofendê-la. Segundo a jovem, a postagem do professor ficou cerca de seis horas no ar. "Me senti exposta ao ridículo. Mesmo tendo convicção de que meu cabelo não é feio e tendo certeza que amo meu cabelo assim, fui exposta para ser ridicularizada. Ele não tinha direito de tirar uma foto minha e dar a chance de terceiros fazerem aqueles tipos de comentários", diz. Nycole conta que a situação também afetou toda a família. “Foi péssimo chorar na frente deles e todos me verem daquele jeito. Eu parei de sentir raiva, mas quero resolver isso. Com certeza não fui a primeira e se ninguém fizer nada, eu não serei a última", finaliza a jovem, que procurou a polícia. Jovem afirma que apesar de se aceitar, situação a expôs e diz que correrá atrás de seus direitos Arquivo pessoal Sobre a publicação, o professor de Educação Física Marcos Lozano pediu desculpas e afirmou por e-mail ao G1 que não é racista e não teve a intenção de ofender ou discriminar. Ele diz que a postagem foi deletada de imediato, e nela quis somente retratar a dificuldade em assistir ao jogo. "Não tive oportunidade de entrar em contato com a suposta vítima, bem como fui orientado a não fazê-lo", declarou o acadêmico. (leia a nota completa abaixo) O caso foi registrado pela delegada Lyvia Cristina Bonella, da Delegacia Sede da Praia Grande, como injúria racial. O caso segue em investigação, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O Código Penal prevê pena de reclusão de um a três anos e multa para este tipo de crime. A universidade onde o professor leciona e onde ocorreu o jogo não quis se manifestar. Nota do professor: "Venho por meio deste post me defender de acusações feitas contra minha pessoa em rede social. Tenho alunos, ex-alunos, atletas e pessoas que me conhecem e sabem da minha postura e índole como ser humano e que, diferentemente do que estão postando, não sou racista e nunca discriminei quem quer que seja. Fiz uma postagem em meu Instagram que foi deletada de imediato, sobre a dificuldade em visualizar um jogo o qual filmava. Em nenhum momento falei ou discriminei qualquer pessoa presente no local. Aproveito para pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos, não houve essa intenção em momento algum."
Fonte: G1
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